O sentido do gênero literário utópico no século da Ilha dos Hermafroditas

Ana Claudia Romano Ribeiro

Resumo


No artigo "O sentido do gênero literário utópico no século da Ilha dos Hermafroditas", Ana Cláudia Romano Ribeiro localiza a Ilha dos Hermafroditas, de Artus Thomas (1605) em relação às outras utopias publicadas na França no século XVII, estabelecendo assim um sintético panorama das utopias e do sentido do gênero utópico neste século. Nesta circunscrição histórica, a criação literária utópica toma impulso, especialmente no fértil terreno filosófico de novas elaborações do paradigma e, tende, ao mesmo tempo, aos extremos de um texto bastante próximo da realidade histórica tanto quanto à mais excêntrica fantasia. As utopias deste século não são chamadas de "utopias", mas de "viagens imaginárias" ou "repúblicas imaginárias", designações que indicam a proximidade com o gênero dos relatos de viagem, que povoam as entrelinhas das obras utópicas deste período, e que serviram de base para as descrições nas utopias francesas, dotadas de abundantes informações, de detalhes, de verossimilhança, e também da idéia de relativismo contida no confronto com a alteridade. Este artigo mostra como os utopistas do século da Isle des Hermaphrodites vulgarizaram e difundiram idéias caras notadamente aos libertinos e aos autores de manuscritos clandestinos sobre a vontade de laicizar o Estado, de afirmar a dessacralização da natureza, de recusar a religião, de contestar a fé pela razão não-conformista e incrédula, desenvolvendo as teses do materialismo, defendendo a existência de leis gerais de causa e efeito, e fazendo assim uma ponte entre as idéias dos pensadores "naturalistas" do Renascimento e as dos filósofos iluministas. 


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