A cidade perfeita e a ficção do conselho: o Livro I da Utopia de Morus

Ricardo Hiroyuki Shibata

Resumo


Um dos aspectos que pouco mereceu atenção da fortuna críticado Livro I de Utopia (1516), de Thomas More, foi, sem dúvida alguma, o arranjo ficcional em que está firmemente estruturado e que organiza e enquadra os vários topoi amplificados pela argumentaçãodos interlocutores. Caberia, então, antes de tudo, propor a análise e explicitação, em esboço, de sua própria constituição enquanto diálogo - gênero literário muito difundido e amplamente cultivado desde, pelo menos, o humanismo pré-renascentista italiano, em relação ao sistema argumentativo com seus pressupostos, seus argumentos a contrario, seus pontos de conexão e articulação - enfim, do debate em si e suas condições de produção. Nesse sentido, examinar os conteúdos estrategicamente enunciados numa forma genérica específica, cuja escolha não é arbitrária, poderia fornecer pistas significativas da dinâmica desse sistema, possibilitando ao mesmo tempo vislumbrar com mais precisão e de modo mais verossímil historicamente as aspirações de Morus em determinar, como eixo central da pragmática da filosofia política e do governo civis, qual “a melhor constituição de uma república”.

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