Wolfaria, uma utopia entre o Renascimento e o Luteranismo

Júlia Ciasca Brandão

Resumo


Apresentamos a tradução de Wolfaria, publicada em 1521 por Johann Eberlin von Günzburg, teólogo alemão que, no mesmo ano, havia abdicado o catolicismo e a Ordem Franciscana. O texto, composto no início da Reforma, trata de um mundo imaginário, no qual a religião e o Estado estão em perfeita harmonia e todos os cidadãos vivem bem, pois adotam princípios éticos e políticos conformes ao nascente luteranismo. Integrante do gênero utópico, a obra de Eberlin pode ser considerada a segunda manifestação desta corrente, composta apenas cinco anos após a Utopia, de Thomas Morus.

As obras utópicas reúnem uma quantidade variada de particularidades, mas se caracterizam fundamentalmente por apresentar a descrição de um alhures em sua totalidade, e este mundo outro é na verdade a imagem invertida do mundo do autor. O utopista não busca o escapismo político, ao contrário: mergulhado nas contradições do momento presente, o autor deseja criar um mundo outro, onde os males sociais, religiosos e políticos são solucionados. Wolfaria está explicitamente vinculada à realidade histórica, e constitui importante discussão de tópicos fundamentais da Alemanha no período em que Eberlin viveu. 


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