A alter-filosofia de Thomas More: Onde a imaginação utópica encontra a experiência histórica

Alexander Rezende Luz

Resumo


Neste texto proponho a hipótese de que o que está no cerne da obra mais conhecida de Thomas More é a relação entre o conhecimento de maneira geral - e em particular o conhecimento filosófico - e os problemas dos Estados e de seus cidadãos, que aguardam solução ou pelo menos alguma forma de alívio. A partir de uma leitura que leva em consideração diversos detalhes do texto que frequentemente passam despercebidos, sugiro que a maior contribuição desse texto seminal não está na ideia da eliminação do dinheiro e da propriedade privada - que é o que primeiro salta aos olhos do leitor, e que, portanto, está em um nível mais superficial - mas algo mais profundo, quase oculto no texto: sua reflexão metafilosófica, isto é, a discussão sobre o que é, e quais objetivos deve ter, o empreendimento intelectual humano. Sob essa ótica, o texto de More se apresenta como um espaço para o contraste de dois paradigmas: o da filosofia tradicional, representada por Rafael, que atribui erroneamente a perfeição à esfera do pensamento, e a imperfeição ao espaço da sociedade; e de uma outra filosofia, aqui chamada de alter-filosofia, representada por More-personagem, que tenta conciliar a imaginação utópica com a experiência histórica, considerando tanto uma como a outra como elementos imperfeitos que podem ser aprimorados pela interação entre si.


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Referências


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