Imaginativismo: explorações do impulso utópico dos feminismos da ficção científica e do ativismo do/a leitor/a/escritor/a

Joan Haran

Resumo


Este artigo introduz o conceito de 'imaginativismo' para conceitualizar as formas pelas quais comunidades interpretativas e ativistas são formadas, inspiradas e/ou revigoradas pela produção cultural ficcional.  Em seguida, sugere que o termo "feminismos de ficção científica" é mais fecundo do que "ficção científica feminista", devido a seu foco em um modo de produção do conhecimento que é ao mesmo tempo esperançoso, alegre e crítico, e não em gênero (para)literário. Chama a atenção para a relação genealógica entre as posições de sujeito do/a leitor/a e do/a escritor/a antes de discutir a inspiração oferecida a uma constelação de ativistas da justiça social e ambiental por meio da produção cultural e do ativismo de três mulheres que reconheço como feministas de ficção científica: Starhawk; Walidah Imarisha e adrienne maree brown. 

            Dois estudos de caso do imaginativismo são discutidos brevemente; A adaptação proposta por Starhawk et al. do romance The Fifth Sacred Thing , de Starhawk, e a antologia de Imarisha e brown, publicada por meio de financiamento coletivo, intitulada Octavia's Brood: Science Fiction Stories from Social Justice Movements.  Ambas intervenções são contextualizadas dentro de uma rede de trabalho literário e ativista espacial e temporalmente estendida e, assim, atenção é dada para as qualidades iterativas e relacionais do imaginativismo. Concentro-me no extenso trabalho de organização, incluindo o uso do crowdfunding, no qual cada uma dessas mulheres se engaja para desenvolver e disseminar visões coletivas de um mundo justo, assim como as habilidades e estratégias necessárias para materializar essa visão. Elas inscrevem leitores/as e escritores/as em suas visões de futuros transformados, e fazem o trabalho de transformar futuros através da organização cotidiana e assente como líderes, participantes e aliadas no movimento social em múltiplas escalas. Sua combinação de atividades pragmáticas e práticas, para fazer com que as coisas se efetivem, com visões de justiça transformadora, bem como sua articulação persuasiva da relevância dessa combinação, sugere que os investimentos utópicos que muitos/as leitores/as sempre tiveram no potencial da ficção científica para mudar a mundo são bem fundamentados.


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