Por uma ideia de composição: o puzzle literário de Amilcar Bettega

Amanda Priscila Santos Prado

Resumo


Se, para Maurice Blanchot, em O livro por vir (1959), “a obra é a espera da obra” e é nessa espera que se concentra o potencial literário de um livro, o argumento deste trabalho parte da análise dos três livros de contos do escritor Amilcar Bettega – O voo da trapezista (1994), Deixe o quarto como está ou estudos para a composição do cansaço (2002) e Os lados do círculo (2004) – e propõe a ideia de composição de uma obra virtual, de ordem aberta (Umberto Eco, 1962), cuja possibilidade de existência é tecida pelo reconhecimento das relações autotextuais entre as narrativas desses livros e pelos desdobramentos proporcionados pela associação entre seus diferentes níveis ficcionais. Considerando os processos de seleção e combinação propostos por Wolfgang Iser (2002), que funcionam como atos de fingir, e a ideia de montagem conforme teorizada no âmbito do cinema por Antonio Costa (1985) e Marcel Martin (2005), pretende-se ainda refletir sobre as relações entre o gênero literário conto, em seu caráter de recorte que se basta como unidade (Edgar Allan Poe, 1842; Julio Cortázar, 1993), e a ideia de montagem contida nas diversas possibilidades interpretativas da obra como um todo. Como se guardasse a possibilidade de constituição de um efeito de unidade, a ser despertado pelo trabalho da leitura, o projeto literário de Bettega se aproxima da ideia de um puzzle, passível de montagem por parte da figura do/a leitor/a, e que pode projetar, para dentro de seus limites ficcionais, a constituição de um novo livro virtual.


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