A caminho do Éden: em busca do autêntico refúgio huguenote (1689-1707)

Eduardo dos Santos Rocha

Resumo


Este artigo apresenta uma breve exposição e análise de duas obras vinculadas à tentativa de criação de uma colônia insular huguenote no Índico – a ilha do Éden – nos anos ulteriores à revogação do édito de Nantes: Recueil de quelques mémoires servans d’instruction pour l’établissement de l’isle d’Éden (1689), de Henri Duquesne e Voyages et aventures de François Leguat et ses compagnons en deux îles désertes des Indes Orientales (1707), de François Leguat. No texto de Duquesne, observaremos a aspiração pelo nascimento de uma sociedade que, almejando romper com a realidade histórica opressora, surgia como solução completa e ideal – logo, utópica – para as grandes preocupações e pretensões dos exilados franceses. Ademais, para efetuar a propaganda do empreendimento colonial aos seus correligionários, o autor utilizou um estilo descritivo e argumentativo próximo à estrutura que caracteriza o gênero utópico. Destarte, pretendemos demonstrar que a ilha do Éden é outopia (país de lugar nenhum) e também eutopia (lugar feliz), dentro da ambiguidade sugerida por Thomas Morus em sua Utopia. A narrativa de viagem de Leguat conta a trajetória do pequeno grupo de huguenotes que partiu em busca da ilha descrita por Duquesne. Averiguaremos os elementos utópicos contidos no relato concernente aos dois anos de permanência dos viajantes na paradisíaca ilha Rodrigues, que evidenciam uma ruptura com a ordem política, econômica e social europeia; momentaneamente, homens civilizados tornam-se bons selvagens em um ambiente que muito lembra o país da Cocanha. Inversamente, notaremos que a estada de Leguat e seus companheiros na ilha Maurício - entreposto colonial holandês administrado por Roelof Diodati – é distópica, marcando o penoso reencontro com a tirania e a intolerância, pesadelos que os tinham motivado a abandonar o Velho Mundo.

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