A utopia tupi, segundo Montaigne

José Alexandrino de Souza Filho

Resumo


O ensaio “Dos canibais” (I, 31), de Michel de Montaigne, sintetiza as principais questões levantadas pelo discurso utópico a partir do século XVI. Como se sabe, a própria Utopia de Morus foi imaginada a partir do relato dos descobridores do Novo Mundo. Montaigne considerava a sociedade ameríndia como a consumação dos mitos antigos, em especial o da Idade do Ouro. Considerava-a próxima da perfeição, por ser uma sociedade organizada sobre princípios simples e regida pelas leis da Natureza. Os homens eram puros por serem precisamente selvagens e não terem sido corrompidos pela civilização. O discurso de Montaigne pretende ser também um exercício de historiografia “simples”, pela coleta de dados feita a partir da experiência e com base em relatos de primeira mão de testemunhas oculares idôneas. Montaigne levanta, ao narrar o episódio da visita de índios à França, questões como justiça social, relatividade cultural e representatividade do poder político, antecipando os desdobramentos que essas questões teriam no pensamento político moderno. A comunicação pretende reapresentar a contribuição de Montaigne à literatura utópica, ao mesmo tempo em que procura refletir sobre o caráter ficcional desse tipo de discurso, a partir da apresentação de alguns dados novos, de natureza histórica, implicados nesse episódio.


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