A utopia e a sátira

Ana Cláudia Romano Ribeiro

Resumo


A utopia como gênero literário se caracteriza por seu vínculo intrínseco com a história. Daí resulta a descrição, motivada pela experiência histórica, de uma alteridade social, política, econômica e religiosa. Tal descrição, muitos estudiosos têm salientado, é freqüentemente satírica, configurando-se como uma “contrapartida irônica do nosso mundo” (Frye, 1973, p. 229). Não desprovida de humor, ela enfoca com tom mordaz sua atualidade ideológica, apresentando ao leitor uma sociedade com muitos de seus valores alterados, comumente invertidos ou distorcidos, se comparados à sua sociedade, segundo uma clara intenção crítica. Podemos dizer que a utopia segue o preceito horaciano de dizer a verdade rindo (ridentem dicere verum), afinal, solventur risu tabulae, o riso triunfa sobre as mais impenetráveis barreiras e torna palatáveis as mais amargas verdades (Hendrickson, 1927, p. 54-55). Partindo desta reflexão, pretendo apontar algumas relações entre a utopia e a sátira, visando a uma melhor compreensão desta particularidade do gênero literário utópico.


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