Cidade utópica e cidade ideal em Francesco Patrizi da Cherso

Helvio Moraes

Resumo


A Cidade Feliz de Francesco Patrizi esquiva-se da rigidez de classificações que tendem a sistematizar a pertença das obras literárias a gêneros específicos. Seus estudiosos se dividem entre os que lhe reconhecem o caráter de uma genuína utopia, os que a ele se mostram reticentes e ainda, de forma mais radical, os que totalmente o negam, conferindo-lhe o status de pequena súmula filosófica. Para muitos autores, o escrito patriziano se aproximaria mais do conceito de cidade ideal, como encontra-se postulado por Mannheim. Este autor considera que tanto o estado de espírito ideológico quanto o utópico estão em "incongruência com o estado de realidade dentro do qual ocorrem". Contudo, mesmo que o estado ideológico transcenda a ordem de coisas existente, projetando mudanças, esta não se vê abalada, pois continua a ser a base sobre a qual tais alterações tendem a concretizar-se. Diversamente, o estado de espírito utópico tende a romper com a ordem vigente. Buscaremos investigar até que ponto A Cidade Feliz traduz esse estado de espírito ideológico, e se é possível perceber instâncias ou sugestões de ruptura em suas entrelinhas.


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