Utopias e distopias no campo lingüístico: as concepções e as teorias sobre as afasias

Edwiges Morato

Resumo


Se pensarmos na maneira radical com que os fenômenos da práxis lingüística se colocam como entraves para as utopias lingüísticas clássicas e atuais (como as teses em torno do referencialismo, da competência lingüística inata, da literalidade, da língua primitiva e universal, dos dialetos perfeitos, das línguas fabricadas para uma comunicação eficaz - como o esperanto -, da tradução automática, dos artefatos computacionais criados para síntese de fala ou linguagem artificial, etc.), poderíamos pensar neles como elementos distópicos, ou já seriam eles, em si mesmos, verdadeiras (anti)utopias? Em que medida essa reflexão dialoga com outra, que afirma que uma língua será sempre uma utopia (cf. Marrone, 2004)? Entre o mundo ideal da linguagem adâmica (perfeita, derivada de uma lógica apriorística que nela encontra lugar) e o mundo ideal da linguagem possível (imperfeita, dotada de uma lógica derivada do uso efetivo da língua) trafegam, ambivalentes, as formulações lingüísticas utópicas, entre elas, aquelas atinentes às afasias, foco de nossa reflexão nesta comunicação.


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