Do utopismo iluminista ao (anti)utopismo romântico: a crítica romântica da razão utópica

Márcio Seligmann-Silva

Resumo


O trabalho apresenta a virada romântica, que ocorreu no final do século XVIII, na tradição da utopia. Para tanto, sem necessariamente se restringir apenas aos textos caracterizados dentro do gênero utopia stricto sensu, ele faz uma leitura da doutrina romântica do indivíduo moderno e mostra a crítica romântica da razão utópica. A proposta é mostrar como tanto as enormes mudanças políticas, com destaque para a Revolução Francesa, como as mudanças econômicas e no campo cultural e das ciências determinaram em grande parte novas modalidades do pensamento utópico e, no limite, levaram à dissolução do utopismo de cunho renascentista. Mostra-se como nesta época mais do que nunca se explicita o elemento distópico que, desde a Antiguidade, estava na base de todo pensamento utópico. No romantismo (com destaque para o primeiro romantismo alemão de Friedrich Schlegel e de Novalis e, posteriormente, para Baudelaire), a crítica do Iluminismo e do pensamento cientificista trouxe consigo uma crítica do modelo da utopia. Por outro lado, a nova realidade social gerou também novas funções para a escrita poética sendo que não podemos esquecer que a “literatura” é uma invenção do final do século XVIII. O texto explora em que medida a literatura, enquanto campo de desdobramento da imaginação (do maravilhoso, do fantástico e do virtual de um modo geral) também assumiu um papel antes reservado às utopias stricto sensu.


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