Perséfone no espaço. A literatura e a morte dos mitos na ficção científica

Biagio D'Angelo

Resumo


A ficção científica se apresenta, com uma intensidade sempre maior, como uma forma liminar, onde as ambigüidades da ciência misturam-se com os impasses da literatura. Como em outros textos da produção narrativa contemporânea, a ficção científica joga um papel determinante. Por um lado, os mitos declaram a própria falência; por outro, alegoricamente, a literatura insere, no tecido das próprias páginas, tropos literários como o neutro, a negatividade e o vazio. A escrita da ficção científica das últimas décadas parece exaltar a morte dos mitos do progresso e da ciência. Porém, ao mesmo tempo em que esvazia os mitos, essa literatura pretende reconstituir afirmativamente um novo sujeito. A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin (1969) recentemente traduzido no Brasil, testemunha, com outros textos clássicos de Andrei Platonov, Doris Lessing, Stanislaw Lem e Margaret Atwood, a sobrevivência do gesto da literatura, embora declare a morte dos mitos. A literatura, como a mítica figura de Perséfone, aparece como marca do testemunho da angústia da era contemporânea.


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